MInha vida americana- Cabelos

25/05/2011




Depois de cinco anos nos Estados Unidos chegou a hora de arrumar as malas e ir em busca de novos rumos... no meu caso, de volta ao meu amado Rio de Janeiro. Parto na semana que vem e carrego na bagagem, além das bugigangas desnecessárias e as encomendas das amigas, uma experiência de vida. 

Nesta semana irei compartilhar no blog um pouco sobre a minha experiência quase que antropológica em Zoo York e espero que de alguma forma possa servir para as próximas prêtas que um dia "arrivarão" neste zoológico que chamamos de Nova York. O tema de hoje é...  CABELO!

Lembro que quando arrumava as minhas malas para vir à NY pela primeira vez, as minhas duas grandes preocupações eram como eu iria sobreviver sem o meu absorvente Sempre Livre e, pior ainda, sem o meu cabeleireiro Marcelo.

O absorvente foi fácil. Empacotei na mala quantidade suficiente para durar até a minha próxima ida ao Brasil, sem saber eu que aqui vendia a mesma marca e outras até melhores, mas absorvente a gente nunca consegue mudar de marca, não é verdade?


Quanto ao cabelo, bem, este me levou realmente a conhecer a multiplicidade cultural de Nova York, porque de tudo tentei. Quando cheguei, não tinha muitos amigos negros, assunto que discutirei em outro post, para me auxiliarem nesta tarefa, então, obviamente, o meu primeiro pensamento foi ir à um salão especializado em cabelos crespos. O problema é que cinco anos atrás por aqui nenhuma prêta mantinha o cabelo relaxado. Ou era todo ao natural, o que jamais cruzou a minha cabeça como possibilidade na epóca, ou eram os chapados, que eu sempre repudiei.  

Conclusão: Como eles usavam uma quantidade muito grande para relaxar o meu cabelo, que é muito fino, ele foi ficando fraco, perdendo os cachos e caindo em total depressão, porque como dizia a minha saudosa avó, "o cabelo é a alma da mulher".

A água da torneira de NY é própria para consumo e, em consequência disso, tem muito cloro, o que resseca demais as madeixas. Parece frescura, mas hoje em dia, só agua filtrada sem cloro eu uso.

Depois de muitos dias de choro e reclamações ao telefone com a minha mãe, busquei o impensável: mega-hair. Achei uma brasileira em uma cidade vizinha que fazia o serviço e lá fui eu. Devo confessar que até gostei do look por um tempo porque sabia que o meu cabelo estava tão danificado e ralo que nada me serviria melhor que o cabelo faux.


Viagem ao Harlem
Quando desisti do look mega-hair, resolvi tentar mais uma vez relaxar os cabelos, dessa vez tive conselhos preciosos de uma amiga de Trinidad & Tobago, que me recomendou a ir as dominicanas, no Harlem. Elas são famosas por aqui na escova. Dizem que ninguém alisa um cabelo como elas, mas também relaxam e são baratinhas. Como eu estava cansada de gastar uma fortuna no hair e não tinha nada a perder, lá fui eu.

Elas realmente relaxavam o cabelo como ninguém, porém não entendiam o porquê da minha recusa em escovar o cabelo depois do processo químico. Para elas, não fazia sentido manter um look cabelo crespo. Por um ano frequentei o salão e sempre que chegava a minha cabelereira preferida Dolores já gritava:  "Lá vem a Núbia, aquela que não escova o cabelo".

Por um tempo o trabalho com as dominicanas funcionou, porém, depois de um ano relaxando o cabelo e sem nenhum centímetro de crescimento e mais danos que sorrisos, a mesma amiga de Trinidad me sugeriu fazer uma weave, ou  mega-hair estilo tecelagem, como chamamos no Brasil.  A coisa bacana deste tipo de extensão,  que é a mais usada por aqui, é que o cabelo é todo trançado e, porque não é exposto, não precisa de nenhuma química. 

Algo interessante do mercado de cabelos nos Estados Unidos é que todos os grupos étnicos tiram uma casquinha deste negócio proveitoso. Geralmente, o cabelo vem da Índia, os sul-coreanos os vendem, as dominicanas alisam, quando necessário, os produtos químicos vêm de empresas  de brancos, os africanos colocam o mega-hair e os negros americanos fazem a manutenção. Não há como reclamar de falta de diversidade. Todo mundo ganha com o negócio, apesar, infelizmente, da maior parte do lucro não ficar na  comunidade negra, que é o consumidor principal.

Uma experiência africana

Quando você sai do metrô em Harlem, as africanas já se aproximam oferecendo tranças, mega-hair e ainda existe por aqui o famoso kanekalon.

Eu colocava o cabelo com umas meninas da Costa do Marfim, em Harlem. Eu adorava as minhas viagens trimestrais a este salão. As cabelereiras estavam sempre vestidas com roupas típicas de sua cultura e  sempre e dançavam e cantavam ao som de músicas marfienses que esbravejavam no toca CD. Era também bacana observar os filhos que passavam as tardes no salão depois da escola.  Muito americanizados, mas que ainda mantinham na língua uma conexão com suas origens.

Depois de mais de um ano usando weave, decidi que era hora de voltar as raízes. Por todo esse tempo fiquei sem nenhuma química no cabelo e nunca o vi tão forte e feliz. Hoje , depois de cinco anos experimentando, acertando e errando, acredito que nunca estive tão feliz com as minhas madeixas. Não sei bem o que causou a onda, mas nos últimos dois anos, a negra americana resolveu finalmente se libertar da ditadura da chapinha. Nunca vi tanta prêta ao natural como agora. Parte disso se deve à invasão no mercado de pequenas empresas com grandes propostas, como Miss Jessie's e Carol's Daughter, que revolucionaram, pelo menos para mim, o tratamento para cabelos crespos.


Hoje, volto ao Brasil feliz com minhas madeixas quase naturais, porque ainda relaxo as madeixas, mas agora somente  a cada cinco meses, e com a mala cheia de produtos das linhas Milk e Minoi, da Carol's Daughter e  muito mais feliz com o meu look. Mas que foi uma viagem, well isso foi.

3 comentários:

Anônimo disse...

Imagino o desespero!!!! ahahahaahahha òtimo post.

Anônimo disse...

ahahahha Uma viagem Homérica!!!!!!!! Que bom q vc achou uma solução no final.

Anônimo disse...

Linda de qq jeito, gata!
Lipe

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