Site confundi juíza com camareira

20/05/2010



O site de fofocas Estrelando divulgou uma foto da juíza Luislinda Valois Santos em que ela é identificada como camareira. Na imagem a magistrada está ao lado da atriz Natália do Valle. A história da juíza foi retratada pela novela Viver a Vida, ond elea foi uma das homenageadas elo elenco da novela. A história de vida da juíza Luislinda, que chegou a catar mariscos para o sustento da família, emocionou o país.

O filho da juíza, o promotor Fausto Valois, indignado, lembra que o fato do site ter retratado a mãe dele como camareira, mostra o estereótipo destinado aos negros. “Não é nada contra as camareiras, tenho respeito e reconheço a importância de todas as profissões, mas o site não tomou o cuidado de checar a informação. Essa foi uma forma indelicada e grosseira de tratar a minha mãe que estava sendo homenageada pela sua história de vida”, disse o promotor, ressaltando que a matéria feita pelo site foi reproduzida com o mesmo erro por outros veículos.
O promotor já enviou carta para a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial e para a Secretaria dos Direitos Humanos, em Brasília. O caso teve grande repercussão em Salvador, aonde Luislinda atua como juíza. Varias entidades de combate ao racismo também enviaram nota de desagravo para vários veículos da imprensa.
“Nada contra o trabalho digno e profissional executado pelas nobres camareiras, todavia a Drª Luislinda, mulher negra, é juíza há mais de 26 anos, e foi a primeira a prolatar uma sentença condenatória por crime de racismo no Brasil”, defende Marcos Rezende, Coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN). 

História
A história de superação de Luislinda é comovente. A criança que teve que vencer desde cedo as barreiras do preconceito chegou a catar mariscos com os irmãos. O fato marcante foi quando aos 9 anos a juíza levou para a sala de aula um conjunto de réguas de madeira ao invés das de plástico, que eram mais usadas e também mais caras.  O professor não gostou e disse que era melhor que ela fosse fazer feijoada na casa de brancos já que era pobre e não tinha condições nem para comprar o material. Luislinda saiu chorando, mas voltou dizendo que um dia seria juíza e retornaria para prendê-lo. 
Forte e determinada, Luislinda é a primeira juíza negra do Brasil e foi a primeira no mundo a julgar um processo que teve por motivação um ato de discriminação racial.

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