Policiais são indiciados por racismo e homicídio

18/05/2010




Os quatro soldados do 22º Batalhão da Polícia Militar (PM) presos por agredir e matar o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos, poderão ser julgados por homicídio triplamente qualificado, fraude processual e racismo. O Ministério Público (MP) os denunciou hoje à 1ª Vara do Júri de São Paulo e requereu a prisão preventiva deles. A decisão contraria os inquéritos das Polícias Civil e Militar, que apontaram homicídio culposo. Ou seja, sem intenção de matar
O crime ocorreu na madrugada do último dia 8 em Cidade Ademar, na zona sul da capital. Após terminar o expediente na pizzaria onde trabalhava como entregador, Santos visitou um primo e, depois, seguiu para a casa dele, na Rua Guiomar Branco da Silva. A poucos metros dali, policiais mandaram ele parar. A moto que guiava, uma CG-Titan preta comprada em nome da mulher dele, estava sem placa.
O motoboy continuou andando e parou apenas em frente ao portão da casa dele. Os policiais o abordaram e, enquanto descia da moto, já teria passado a ser agredido. Segundo a denúncia do MP, ele foi golpeado com socos e pontapés pelos soldados Carlos Magno dos Santos, de 32 anos, Ricardo José Manso Monteiro, de 27 anos, Márcio Barra da Rocha, de 34 nos, e Alex Sandro Soares Machado, de 28 anos.
Por último, um dos policiais, forte e alto, aplicou uma gravata no rapaz, enquanto outros dois seguravam as pernas deles e o quarto, os braços. O espancamento durou entre 20 e 30 minutos. Um quinto policial assistiu a tudo "passivamente", de acordo com o Ministério Público. A mãe da vítima, Maria Aparecida Menezes, presenciou a cena. Os próprios policiais levaram Santos ao Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya. A ficha de atendimento indica que "o óbito se deu por estrangulamento", relatou o MP. Para os promotores, é certo de que o motoboy chegou à unidade sem vida. Os policiais disseram, ainda, ter apreendido um revólver Magnum calibre 357 com a vítima.
Em depoimento, os soldados alegaram que decidiram abordar Santos porque ele trafegava na contramão numa moto sem placas. Disseram, ainda, à Corregedoria da PM que circulava a notícia de possíveis ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). Para o promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes, a abordagem foi motivada "por uma mera suspeita preconceituosa de que uma pessoa negra, pobre e moradora da periferia não poderia ter uma motocicleta 0 km". Além disso, acrescentou que os policiais poderiam não ter intenção de matá-lo. Mas assumiram o risco ao iniciar a sequência de agressões. "No mínimo, houve dolo eventual."
Lopes tachou a apresentação do revólver de uma medida para justificar "uma ação desastrosa". "Essa arma não tem absolutamente nenhuma ligação com a vítima", afirmou. "Desta vez, pelo menos, a arma tem numeração e permite ser rastreada." O MP tentará descobrir agora a origem dela. Os PMs são mantidos no Presídio Militar Romão Gomes, na Água Fria, zona norte. Após o crime, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afastou os superiores deles: o tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, comandante do 22º Batalhão, e o capitão Alexander Gomes Bento. Alegou que ambos não tinham o comando da tropa. (Elvis Pereira - AE)

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