Marketing, obsessão ou ato de amor? Celebridades adotam crianças negras

03/05/2010




Sandra Bullock é a mais recente celebridade a adotar uma criança negra. Antes de ver a capa da revista People da atriz com o seu filho eu já imaginava que a criança seria negra. Por mais que eu queira acreditar incondicionalmente na boa intenção das celebridades quando adotam, não consigo ignorar as questões que pipocam na minha cabeça. Adoção de  crianças negras por celebridades é um ato de puro amor, marketing ou novo acessório da moda Hollywoodiano?

Sandra só vem a se juntar a uma lista extensa de celebridades que adotam crianças de outras etnias. Madonna, Steven Spilberg, Brad Pitt, Hugh Jackman, Angeline Jolie e Brad Pitt também já passaram pelo processo de adoção.

Um estudo americano concluiu recentemente o que todos já sabiamos. Crianças negras têm menos chances de serem adotadas que crianças brancas na mesma situação. A publicidade produzida quando celebridades adotam crianças de outras etnias gera consequentemente uma imagem  de que é aceitável adoção interracial e promove este tipo de adoção. Mas existem aqueles que criticam adoções interracias argumentando que crianças negras deveriam ser adotadas por familías negras.  Mas como criticar se ainda o número de casais negros dispostos a adotarem ainda é muito inferior? E quando falamos de celebridades negras o número se torna menor ainda. Quebrando paradigmas, jogador de Futebol Americano Demarcus Ware e sua esposa adotaram uma menina caucasiana. O cantor Lionel Richie também é pai adotivo da socialite Nicole Richie.

Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), existem 80 mil crianças brasileiras esperando por uma família. A maioria dos adotantes é casada, branca, com escolaridade de segundo grau ou curso superior, renda familiar bastante superior à população em geral. Grande parte deles tem filhos biológicos e deseja adotar mais de uma criança. São poucas as adoções interraciais. Mais de 70% delas é feita com crianças brancas, contra 23,8% de pardas, 5,3% de negras e 0,4% de amarelas. 

No Brasil, Marcelo Anthony e Mônica Torres, Drica Moraes, Astrid Fontenelle e Glória Maria também são pais adotivos.

"Quando vi a foto do bebê negro com a Sandra Bullock, meu coração se cobriu de alegria. Apesar de todo o processo e da burocracia envolvidos, a adoção não é tão difícil. O problema é que o brasileiro quer o bebê branquinho de olho azul. O entrave, então, não está apenas no trâmite da adoção, mas no perfil desejado pelos pais. A preparação das famílias tenta quebrar esse visão, muitas vezes alimentada por puro preconceito", afirma a desembargadora Conceição Mousnier, coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) no estado do Rio e que também está à frente da criação dos Grupos Institucionais de Apoio à Adoção (GIAA). 

A adoção, seja interracial ou dentro do mesmo grupo étnico, é saudável quando a decisão é tomada pelas razões corretas.  As celebridades têm um papel fundamental na quebra do paradigma racial. Porém, o grande número de adoção interracial por pessoas brancas deve nos levar a questionar as nossas próprias limitações e preconceitos.

1 comentários:

Anônimo disse...

Eu nao tenho nada contra. Pelo menos eles estao dando uma vida melhor para as criancas. Quem esta incomodado deveria adotar entao.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
 
Design provided by Free Web Templates| Modifikasi and Adaptation For Blogger by Jalooe Blog